São Silvestre (Resoluções 2012, 1)

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Quando éramos pequenos, bem pequenos, meu irmão e eu passávamos alguns dias de verão na casa da minha avó. Ela morava, à época, em Bom Jesus do Norte, uma cidade capixaba na divisa com o estado do Rio de Janeiro. Do outro lado da ponte que vence o rio Itabapoana há outra cidade chamada Bom Jesus, mas a fluminense tem o nome do rio como complemento. Hoje em dia os nomes têm sentido para mim, mas de criança eu custava a saber qual era BJ do Norte e qual era BJ do Itabapoana...
Era um calor infernal. Ainda deve ser. Lembro que na casa onde ela morava, o chão era de pedra e não havia nada melhor que deitar no chão da garagem, de tardinha. Ela tinha um jardinzinho nos fundos da casa e meu irmão e eu jogávamos tamp-cross - era o nome que dávamos a uma corrida de tampinhas de garrafa num circuto pintado no chão. Lá também viviam uma das minhas tias e um dos meus primos que também é meu padrinho. Nas minhas memórias, lá tudo é muito antigo. Quando penso em BJdN, sempre penso como num filme dos anos 1970. Ou, pelo menos, num filme que se passa nos anos 1970. Algo como "O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias". Lá na casa da minha avó há (ou havia) uma foto minha ainda menor, num velotrol usando os óculos dourados e redondos do meu pai e os fones de ouvido gigantes que ele usava para ouvir Pink Floyd. Eu adoro essa foto e faz décadas que não a vejo...
E lá em BJdN havia uma praça espetacular. Eu a achava a coisa mais interessante do mundo. Eu devia ter -sei lá- uns 8 ou 10 anos e via, com uma curiosidade quase antropológica, pessoas e mais pessoas se aglomerarem na praça, com cadeiras e garrafas d'água, para assistir ao jornal e à novela na televisão da praça. Não conseguia entender muito bem porquê aquele monte de gente se reuniam noite trás noite na praça para ver televisão na praça. Foi também nessa praça que meu primo-padrinho me levou uma vez para passear. E lá ele encontrou alguns amigos dele. Ele é (como não!) algo mais velho que eu e à época devia ter uns 20 anos. Era um 31 de dezembro e acabáramos de ver a São Silvestre. Um dos amigos do meu primo disse que não vira o final da corrida e eu me pus a explicar-lho. Eu era pequenino e falava muito e lembro que eu falei de como um queniano ou etíope passara um brasileiro nos últimos metros. Eu sempre me achei meio dono da verdade, mas àquela época eu ainda não tinha filtros. Assim que expliquei tim-tim por tim-tim e com uma emoção enorme, sem deixar que os adultos me interrompessem. Lembro que eles começaram a rir e falar que deveria ter sido mesmo um final espetacular. Não sei se as minhas lembranças são reais ou se eu as adaptei, mas lembro com muito carinho desse momento. Deve fazer uns 20 anos disso e eu nunca mais esqueci aquela praça com televisão, naquele 31 de dezembro.

* * * 

Ante-ontem pensei na minha primeira resolução de Ano Novo. Daqui a 356 dias, no próximo dia 31 de dezembro, correrei uma São Silvestre. Ainda falta decidir qual, mas vou correr uma uma. Há a mais tradicional, a de São Paulo, mas também há a de Vallecas aqui em Madri e a dos Nassos em Barcelona. A paulistana é a mais antiga e, para mim, é a mais impactante. Mas como não sei onde estarei no fim desse ano, a resolução deixa em aberto qual delas será a minha primeira corrida. Não creio que nenhum garoto contará as minhas façanhas de ultrapassagens nas últimas curvas, mas depois de acabá-la eu mesmo estarei contando a todo mundo, tal qual 20 anos atrás!

madri.tarde-da-noite.frio,-muito-frio.buscando-academias-para-começar-a-treinar

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Roger Vilalta Terça-feira, Janeiro 10, 2012

Et prenc la paraula, amic Raul. Qui sap, potser jo també m'apunto... He dit potser, eh? (no faig promeses amb tanta antelació).

Una abraçada!

Roger

Raul Terça-feira, Janeiro 10, 2012

Roger!
Sí, sí! Apunta-t'hi i així la fem junts! :D
Comencem els entrenaments!
Una abraçda, Raul.

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