The Burning House

Comente!

Ante-ontem fui a um festival aqui em Madri bem legal. Era o Festival de Series e trazia muitas séries interessantes e, o melhor de tudo, as projeções eram em salas de cinema! A sessão à que eu mais queria ir era uma maratona de The Big Bang Theory. Eu, contudo, desisti ao saber que dos 5 episódios que seriam exibidos, 4 eram dublados em espanhol. Aí é foda, né? Então eu acabei indo no sábado à noite, com a Marfany. Tínhamos planejado ver a estréia de Revenge, mas entramos na fila errada e acabamos vendo a estréia da segunda temporada de The Walking Dead. Eu nunca tinha visto a série e até que foi bem divertido. Trata-se de um mundo pós-apocalíptico em que as pessoas tentam sobreviver aos constantes ataques de zombis que tomaram conta do planeta. Assim que voltei para casa, baixei a primeira temporada que chegou bem rapidinho. São só 6 capítulos. Muito bons. Muito recomendável. No primeiro episódio da primeira temporada, o protagonista acorda de um coma e se vê naquele mundo esquisito de mortos-vivos errando pela Terra em busca de cérebros frescos para almoçar. Ele, aos trancos e barrancos, consegue chegar à sua casa só para encontrá-la vazia. Sua mulher e seu filho já não estavam lá; porém ele se dá conta de que eles estão vivos porque a além das gavetas de roupa estarem reviradas, também faltavam os álbuns de foto da família. Um mero ladrão não roubaria os álbuns de fotos nem os porta-retrators de cima da lareira.
Foi vendo essas deduções do policial Ricky que eu me lembrei de uma página que eu descobri há pouco. Chama-se The Burning House e a idéia do site é fazer uma foto das coisas que você juntaria se a sua casa estivesse pegando fogo. Não dá pra pensar muito e só dá pra levar as coisas mais importantes, mais especiais, mais essenciais na sua vida. Como se pode ler na descrição do site,
If your house was burning, what would you take with you? It's a conflict between what's practical, valuable and sentimental. What you would take reflects your interests, background and priorities. Think of it as an interview condensed into one question. 

É um conflito entre o quê é prático, valioso e sentimental. Mais adiante, o autor do site diz,
If your house was burning, what would you bring with you?
It’s a philosophical conflict between what’s practical, valuable and sentimental. You’re forced to prioritize and boil down a life of accrued possessions into what you can carry out with you. What you would bring reflects your interests, background and priorities. People’s stage in life also dictates their selection. A father of five in his forties would grab very different things than he would have as a bachelor in his twenties. Think of it as a full interview condensed into one question.

Ele mesmo confirma que ele, um pai de cinco já na casa dos quarenta, levaria coisas muito diferentes daquelas que ele teria levado quando solteiro com vinte e poucos anos. Ele nos convida a pensá-lo como uma entrevista completa condensada em uma pergunta. E foi o quê eu tentei fazer. Juntei o quê eu tinha mais à mão e que eu não poderia repor.

Primeiro, os livros. Eu tenho muitos, muitos livros que eu amo e seria impossível levá-los todos. Assim que eu escolhi os quatro que não podem ser substituídos: o Mentiras Que os Homens Contam autografado pelo Luis Fernando Veríssimo na Feira do Livro de Belo Horizonte depois d'eu ter apresentado a minha monografia da graduação - também conhecido como o pior dia da minha vida; o Halló, itt Margyarország! que eu ganhei da Anna Barbara para um dia aprender húngaro; o L'Art d'Ensenyar Barcelona, que foi o livro que me inspirou a fazer meu doutorado e já não há em estoque; e o Natura Quasi, que ela me deu quando eu fui embora de Barcelona.

Segundo, os dados. Meu computador e meu HD externo são a minha vida. Tudo meu está lá dentro. O mais essencial de tudo (minhas teses, meus textos, meus documentos) também estão em outros pendrives e na Internet, mas as as fotos e os vídeos... Tudo isso só tenho nesses dois aparelhos.

Terceiro, a praticidade. Meu celular, minha carteira, minha caixinha de documentos e os meus diplomas de graduação e mestrado não podem ficar para trás. Se no HD e no computador tenha minha vida emocional, são esses documentos me fazem ser quem eu sou para a sociedade. Posso consegui-los outra vez, mas você sabe o trabalho infernal que é autenticar um diploma estrangeiro?

Quarto, os momentos inesquecíveis. Minhas baquetas que me ajudaram a não me enloquecer em Leeds; o meu copo de Guinness como lembrança do meu bar em Barcelona; e o ingresso para o show dos Arctic Monkeys em Barcelona em janeiro - que será inesquecível, claro.

Quinto, as minhas camisas. A camisa do Raul Plassmann, ex-goleiro do Cruzeiro: eu gosto de pensar que meus pais me deram esse nome por conta dele (apesar de eu não saber porquê eu me chamo Raul); a camisa do Barcelona da temporada 1998-1999 que eu comprei durante a minha primeira viagem à cidade; e a camisa dos Castellers de Sants.

Por fim, levo também meus fones de ouvido também porque eu nunca saio de casa sem eles.

Deixo aqui a foto que eu fiz e que eu mandarei para o site. A minha não ficou tão legal quanto às que aparecem lá, mas foi o melhor que eu consegui fazer. Um trabalho danado em arrumar tudo bonitinho e fazer a foto sem muita luz... Bom... Quem sabe um dia eu não apareço lá?

De cima para baixo, da esquerda para a direita: camisa do Raul, camisa do Barça, camisa dos Castellers de Sants, copo comemorativo de 250 anos da Guinness, livro de húngaro; meu HD externo, meu diploma de mestre, minha caixinha de documentos, meu ingresso para o show dos Arctic Monkeys; L'Art d'Ensenyar Barcelona; minhas baquetas, meu diploma de bacharel, o autógrafo do Veríssimo; meus fones de ouvido, o livro que ela me deu, meu computador, minha carteira e meu celular. Clique para ver a imagem num maior tamanho.

madri.já-tarde-da-noite.muito,-muito-frio.gripado-e-ligando-a-calefação

Postar um comentário