A tale of two capitals
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... mas ela estava a ponto de ir embora, então ele decidiu ir embora também. Ela ia para um capital, ele ia para outra. "Fazer o quê aqui, se ela vai embora?", pensava ele enquanto tentava fechar a mala. E embora foram os dois. Cada um para uma capital diferente. Se estivéssemos noutros tempos, tudo estaria resolvido. Ele encontraria uma taverna na nova capital, comeria nacos de presunto cru e limparia a garganta com enebriante vinho tinto. Mas não viviam no século XIX e hoje em dia não se pode fugir de alguém assim tão facilmente. Cada um numa capital diferente, mas em constante contato, mesmo que nenhum dos dois quisesse estar em contato. Ele queria muito, mas sabia que manter o contato era saber aquilo que não queria saber. Ela, contudo, mantinha contanto; sem querer, porém. Afinal de contas, nesse mundo atual todo mundo sabe tudo de todo mundo. E ele, numa capital, sabia o quê ela fazia lá na outra capital. E em lugar de pensar uma nova vida na nova capital -sem ela que estava noutra capital- ele só conseguia pensar na velha vida que os dois tinha antes. A vida de antes, aquela em que os dois estavam próximos, fisicamente próximos. A proximidade virtual não conforta. Ao contrário: desconforta, machuca. Ele vê o quê ela faz, como ela sorri, como ela é feliz longe dele e ele começa a aceitar que ela está melhor assim, longe dele. Ele já desconfiava que ela seria mesmo feliz sem ele, mesmo ainda quando viviam perto. A distância só fez confirmá-lo. Ele, de longe, viu como a esperança se perdia, desaparecia, esvanecia, se dissipava, como se se tratasse de uma capital sitiada, à beira da capitulação ante constantes ataques... Ela, de longe, nem se deu conta de nada disso, como se se tratasse de uma capital que não se interessa por assuntos de outras terras.It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us, we were all going direct to heaven, we were all going direct the other way - in short, the period was so far like the present period, that some of its noisiest authorities insisted on its being received, for good or for evil, in the superlative degree of comparison only.
"The opening paragraph of A Tale of Two Cities", Charles Dickens
madri.quase-fim-do-bate-borisov-x-barcelona.fresquinho-de-outono.cansaaado...











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