270 dias

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Quando eu era pequenino, recém-nascido mesmo, morávamos noutro apartamento. Eu nem lembro de ter vivido lá, mas dizem meus pais que foi lá que estraguei a parede batendo o andador pelo corredor. Também foi lá onde eu conheci a minha primeira namorada. Já não lembro o nome dela, mas diz minha mãe que num dia dos namorados eu comprei um batom Boka Loka para ela. Minha mãe também adora dizer que essa minha ex-namorada nasceu no dia que estorou a Guerra das Malvinas. Minha mãe sempre coloca ênfase no "estorou". Assim que a mocinha era um-ano-menos-um-dia mais velha que eu. Sempre gostei de mais velhas.

Batom Boka Loka: meu primeiro presente de dia dos namorados

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Lá nesse prédio, tínhamos poucos vizinhos. Era um prédio pequeno, de dois andares com 3 apartamentos cada. Anos depois, a minha avó morou lá naquele apartamento e é de então que eu lembro da vista.
Da janela da sala dava para ver a casa ao lado e meu pai conta que certa feita estavam dando uma festa lá e a música não os deixava dormir. Assim que meu pai e minha mãe foram ao bar, compraram algumas garrafas de cerveja e se auto-convidaram para a festa.
No apartamento do lado do nosso, morava um casal amigo dos meus pais que foram meus sogros à época, pais da minha ex-namorada cujo nome eu não lembro.
No andar de baixo, no apartamento ao lado da escada, morava o síndico. Eu não lembro dele, mas as histórias que meu pai me conta são extraordinárias. Muitas vezes eu não sei se é verdade ou se meu pai floreia para que fiquem mais interessantes. Contudo, minha mãe ri tanto que parecem ser mesmo verdade. Uma que ele adora contar é de quando ele -o síndico- marcou uma reunião de condomínio bem na hora da decisão do 3º lugar da Copa do Mundo de 1982. Meu pai se indignou muito e não apareceu, o quê causou a ira do síndico.

Ingresso para o Polônia 3 x 2 França no José Rico Pérez de Alicante

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No começo desse ano eu fui a Alicante passar o Dia de Reis na casa do Sergio. O Dia de Reis aqui na Espanha é bem importante. Já falei disso algures. Há muitas coisas a se fazer quando se vai a Alicante: ver o Mediterrâneo, subir ao Parc de les Aigües, ver o Mediterrâneo, comer paella gigante feita pela mãe do Sergio, ver o Mediterrâneo, tomar horchata, ver o Mediterrâneo e ir a um jogo do Hércules no Rico Pérez. Naquele dia, tivemos a honra de ver como o time alicantino derrotava o Las Palmas de virada (gol de empate e gol da vitória) no palco daquela disputa de terceiro lugar que meu pai quase perdeu para uma reunião de condomínio.

Gugli (de pé), Sergio, Pedro Gutiérrez, Pedro Cenamor e eu no Rico Pérez

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Segundo um blog da Time, o Brasil 2 x 3 Itália da Copa do Mundo de 1982 foi o jogo mais bonito de todos os tempos. Não tem como não ser, né? Zico, Tardelli, Falcão, Rossi, Sócrates, Conti, Éder... O antigo estádio de Sarrià, em Barcelona, assistiu a uma aula de jogo bonito, de passes maravilhosos, de fair play, de dribles e fintas, de shorts apertados e de como o futebol é mesmo a metáfora perfeita para a vida. 44 mil pessoas viram como nem sempre o melhor ganha, mas como sempre o mais bonito apaixona. O padrão de jogo bonito foi definido naquele 5 de julho veranego1. E não sei se foi a paixão prévia ao partido ou afogando as lágrimas após a derrota, mas exatamente 270 dias depois daquele jogo, eu nascia numa sexta-feira da paixão de mentirinha.

Resumo de Brasil 2 x 3 Itália pelo Mundial da Espanha no Estadio de Sarrià, em Barcelona, no dia 5 de julho de 1982

madri.já-é-primavera-mesmo-que-o-calendário-diga-diferente.já-bem-tarde.a-poucos-dias-de-mais-um-1º-de-abril

1Anos e anos mais tarde, eu viveria em Sarrià e assistiria como a neve tomava conta do bairro.

Rompu, rompu la murojn inter la popoloj! (Resoluções 2012, 3)

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Longa longa tempo, mi havis liberan tempon. Tio estis bela tempo, kiam mi povis fari tion mi ĝuis, kiel lerni senutilaj aĵoj. Nu, nenio estas senutila, sed kelkaj aferoj havas utilecon al la momento, dum aliaj aĵoj ne. Tiam, mi serĉis japana gravuloj kaj la serĉilon donis al mi kelkajn esperanto gravuloj. Mi komencis enketi iom, kaj mi trovis ke en Belo Horizonto estis lernejo instruis Esperanton. Estis neeble ne iri tie kaj enskribi min en la kurso. La lernejo estis en tre malnova konstruaĵo en la tre Centro de la Urbo kaj ĝi estis tiel malgrandaj, ke ili nur povis instrui lingvon kiel sekreta kiel Esperanton. Esas libroj ĉie kaj mi devis atendi por bona duono de horo antaŭ ol la klaso komencis. La studentoj kaj la instruistoj estis ĉiuj almenaŭ dufoje tiel malnova kiel mi mem. Ili ĉiuj havis tiun nekredeblan senson de trankvileco kaj paco kiu faris min senti tuj konektita kun ili. Ili ĉiuj estis tre amikaj kaj la sento de esti hejme estis neebla perdi. Bedaŭrinde, la universitato kaj mia laboro petis tro multe pri mi kaj devis rezigni la Esperanton kurso. Mi neniam renkontis tiujn homojn denove. Pasintsemajne, tamen, mi trovis Esperanton denove kaj jen mia tria novjaran Rezolucio: lerni taŭga Esperanton tiu jaro.

Ho, mia kor’, ne batu maltrankvile,
el mia brusto nun ne saltu for!
Jam teni min ne povas mi facile,
ho, mia kor’!

Ho, mia kor’! Post longa laborado
ĉu mi ne venkos en decida hor’?
Sufiĉe! Trankviliĝu de l’ batado,
ho, mia kor’!

Ludoviko Lazaro Zamenhof, 1859-1917

madrido.frue-en-la-nokto,-sed-vere-dormema.la-printempo-alvenis.esperplena!

PS: Mi scias ke estas jam marto... Sed estas mia rezolucio kaj mi povas fari ĝin kiam ajn mi volas.

Tanta coisa...

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Tanta coisa que eu queria escrever aqui agora mesmo... As duas meninas que entraram no meu quarto às 04h00, a minha viagem à Itália dia 6 de outubro, a saudade que eu tenho de Aveiro, a minha gratidão ao ditado latino in vino veritas, a frase de Santo Agostinho da mihi castitatem et continentiam, sed noli modo, o casamento da mocinha que inspirou uma das partes desse post, uma certa foto de Barcelona, um certo poema do Drummond, um sonho que eu tive com uma moça que já foi ela há bastante tempo, o top5 das mulheres mais lindas do mundo... Muitos temas, pouca coordenação motora para escrevê-los. Talvez amanhã de manhã, com ressaca, eu escreva algum/ns deles.

madri.de-madrugada,-muito-tarde.a-primavera-chegou-antes-da-hora.bêbado-e,-por-mais-incrível-que-pareça,-feliz

Eu No Banheiro

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Lá na casa dos meus pais, onde eu cresci, há dois banheiros. Um grande – bom, normal. Os cinco espaços estão bem definidos: a pia com o espelho em cima; o vaso da Celite; o cesto de roupa suja; o box; e o espaço para se sacar e trocar de roupa. Ao lado da área de serviço, contudo, há um segundo banheiro – esse é muito, muito pequeno: o banheirinho. As cinco partes acontecem particamente no mesmo espaço. Creio que nunca foi tentado, mas hipoteticamente se pode fazer tudo o quê se faz no banheiro ao mesmo tempo.
Meu pai idolatra a solidão do banheiro como ninguém. Ele pode passar horas e horas escutando rádio no banheiro. Ele lê o jornal inteiro, incluídas as seções de óbitos e classificados, sentado na Celite. Assim que ficou estabelecido, desde sempre, que meu pai só poderia usar o banheirinho. Nada de ir ao banheiro normal. Não, não. Aquele está reservado para pessoas normais, que passam tempos normais dentro do banheiro.

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 Les toilettes à Les Deux Moulins, où Amélie Poulain travaillé

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Quando eu fiz o Ensino Médio, meus mais me matricularam numa escola que tinha o ensino regular e o técnico. Assim que eu passava o dia inteiro na escola, não necessariamente estudando. Foi num desses momentos longe dos livros que alguns amigos resolvemos criar um jornal. Eu já havia trabalhado num jornal no Ensino Fundamental, mas queria mudar a temática. Ficou decidido que em lugar de colocarmos os jornais nos murais das salas de aula, como era usual naquela era pré-histórica, colocá-los-íamos nas portas dos banheiros. Daí o nome não poderia ser outro que não WC News. Foi um sucesso tão grande que tínhamos cartunista, estagiário, fazíamos entrevistas e, certa feita, fomos até censurados!

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 El Reverendo estuvo en el cuarto de baño y ¡cagó como un Campeón!

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Quando eu fui fazer meu intercâmbio da graduação a Portugal, voariamos de Alitalia. Havia a lenda de que, por causa de um eventual overbooking, a companhia aérea poderia fazer um upgrade no seu bilhete. Como éramos jovens e inocentes, fomos ao balcão perguntar se havia overbooking. E havia! E mudaram nossos bilhetes! Mas não para a classe executiva, mas para um Lufthansa que nos deixaria em Lisboa 1 hora antes. Por conta disso, a conexão não foi em Milão, mas em Frankfurt. O aeroporto de Frankfurt é enorme, gigantesco, mastodôntico. E naquela imensidão toda, encontramos num banheiro uma mensagem que nunca mais esquecemos: El Reverendo estuvo en el cuarto de baño y ¡cagó como un Campeón! Tivemos que propagar a herança do Reverendo durante todo nosso intercâmbio.

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 Getting Stoned with Savages, J Maartin Troost

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Há alguns dias, eu comecei a reler “Getting Stoned With Savages” (J Maarten Troost, Broadway Books, 2006). É um livro espetacular, divertidíssimo, que eu recomendo muito. Eu tenho um manuscrito que alguém (um editor, suponho) deixou num dos quartos de um dos hotéis em que eu trabalhei. Numa dessas vezes que eu recomendava esse livro, disse ao Chris que não era nenhum livro que fosse mudar a vida dele, mas que era ótima literatura de banheiro. Ele disse que adora uma boa literatura de banheiro. Quem não gosta?
Há alguns dias, minha chefa disse que ia ao banheiro e depois faria não-sei-o-quê. Foi nesse momento que eu tive a visão: criar um blog para falar exclusivamente de literatura de banheiro. Quando ela voltou do banheiro eu já tinha contado para uma amiga e a chefa quis ser colaboradora e chamamos mais uma amigo da mesa e outro amigo de outra mesa e mais uma amiga numa das pontas da Península e mais gente foi sendo incorporada e assim nasceu o Eu No Banheiro. Lá contaremos as melhores histórias que se passam na casinha. Esperamos que vocês se divirtam tanto quanto nós!


madri.bem-tarde.a-primavera-já-avisou-que-está-chegando.feliz,-muito-feliz-com-o-novo-projeto!

Eis aqui um súdito!

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Viver na Espanha tem momentos bem diferentes do Brasil. Os dois países podem ser muito parecidos numas coisas, mas há outras que são muito distintas. A Isa trata disso no blog dela, especializado em mostrar como são as coisas de um e outro lado do Atlântico. E uma das primeiras diferenças que eu encontrei ao chegar por essas terras é que todo esse pedaço do mundo tem um dono: el rey don Juan Carlos I (ou, no seu nome completo: Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias - grande, mas longe de poder competir com dom Pedro I: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon). A Espanha é um reino, mas ainda que do lado ocidental do Atlântico as pessoas pensem que a Espanha é uma coisa só -toreros comedores de paella casados com sevillanas- esse pedacinho de mundo menor que Minas Gerais tem uma variedade imensa! Assim que, na semana passada, a TV3 (a televisão pública da Catalunha) emitiu um documentário (próprio!) sobre as opiniões de monarquistas e republicanistas em todo o território estatal. Chama-se "Monarquia o República" e dá para ver pela Internet. Era gente contra a monarquia, dizendo que era um sistema retrógrado, anti-democrático e vassalal; era gente a favor da coroa, dizendo que dá estabilidade, que enriquece o sentimento nacional e que estabelece um sistema de controle. É um documentário excelente, como todos aqueles produzidos pela TV3, mostra bem o quão tabu é esse assunto por aqui nas terras do Juca. Muito pouca gente discute a importância do rei, mas parece que é mais por medo e falta de informação do quê porque ele é realmente bom...

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 Moeda de 0,10R$ e 1,00€ respectivamente, mostrando dom Pedro I (das terras Tupiniquins e IV da Lusolândia) e don Juan Carlos I

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... mas não era disso que eu queria falar. Afinal de contas, tanto a monarquia como a república me parecem inadequadas aos tempos que correm. Já falei disso há alguns meses, quando do 15M. Recomendo também o ¡Democracia Real Ya!, que prega o poder realmente popular.
O quê eu queria mesmo contar era que esse documentário me fez lembrar que, de pequenos, meu irmão e eu sempre íamos com meus pais votar. Achávamos o máximo e algumas vezes os mesários até nos deixaram depositar o papelzinho na urna. Eu, de pequeno, era petista. Fervoroso! Ia pra aula com a estrelinha veremlha no uniforme, sabia os jingles do 1º e do 2º turno do Lula  (lula-lá, brilha uma estrelha...). Meu pai até hoje me sacaneia pelo meu passado militante. Toda reunião familiar ele tem que contar que "o Raul era muito petista! Pedíamos que ele cantasse as musquinhas e ele sempre te perguntava 'Do 1º ou do 2º turno?'!" De adolescente eu odiava, mas hoje já é bem engraçado mesmo. Em 1993 eu já tinha apoiado o Lula em 1989 e tinha lutado pelo impeachment do Collor. Eu era mais politizado naquela época. Talvez pela esperança que havia no país pelo recente fim da ditadura, pelo povo nas ruas, pelos ares de mudança que pairavam... Ou talvez só porque eu era criança mesmo e tudo parecia legal.
Pois então. Eu me lembro que meu pai vota numa escola e que a seção dele era no segundo andar. Em 1993, fomos votar o sistema -monarquia ou república- e a forma de governo - parlamentarismo ou presidencialismo. Meu pai, então, havia acompanhado com bastante interesse os debates. Ele sempre foi um grande fã de reinos, como a Grã-Bretanha, a Espanha ou a Suécia (cuja rainha é filha de uma brasileira...). Ele nunca gostou de governos e sempre usava um argumento muito monárquico de que os políticos só se preocupam com as próximas eleições, enquanto o rei se preocupa pelo país. Então que subindo as escadas da escoal, meu pai encontrou algum conhecido que estava de saída; nenhum dos dois parou, mas se cumprimentaram e o conhecido perguntou ao meu pai o quê ele votaria. Meu pai, então, soltou uma frase que eu nunca mais esqueci: "Eis aqui um súdito!" Meu pai é muito engraçado... :)

madri.tardinha-preguiçosa-de-domingo.já-menos-frio.planejando-ver-outro-documentário-para-esquecer-do-carnaval...

Drummond in English

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Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

* * *

A felicidade incontida que eu tive quando vi, numa reportagem, há vários meses, que o Drummond seria o homenageado na FLIP era um sentimento que eu achei que não era possível ser igualado. Bom, teve a vez que o Veríssimo assinou o meu livro. Aquilo também foi impressionante. Enquanto o Veríssimo escreve os textos que eu gostaria de ter escrito, o Drummond escreveu os poemas que falam o quê eu sinto. "Êta vida besta, meu Deus" ou "Alguns anos vivi em Itabira./ Principalmente nasci em Itabira./ (...) Itabira é apenas uma fotografia na parede./ Mas como dói!" ou "Meu Deus, por que me abandonaste/ se sabias que eu não era Deus,/ se sabias que eu era fraco." ou "Não consigo evacuar/ o ano passado." ou "Se você não vem depressa até aqui/ nem eu posso correr à sua casa,/ que seria de mim até o amanhecer?" ou "E se Deus é canhoto/ e criou com a mão esquerda?/ Isso explica, talvez, as coisas deste mundo." ou "Eu também já fui brasileiro/ moreno como vocês./ (...) Hoje não deslizo mais não,/ não sou irônico mais não,/ não tenho ritmo mais não." ou...

* * *
O mundo é grande

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar. 

* * *

O mundo é muito grande. E andando por aí, dá-se conta de que ninguém sabe nada do Poeta Maior. Uma pena, uma lástima, uma tristeza imensa. Claro que ninguém entende um poema da mesma maneira que outro. Ainda menos quando esse outro foi criado noutro ambiente, com outra língua, outro clima, outras tradições. Mas ainda assim eu entendo, à minha minha maneira, José Luis Borges, Thomas Gray ou Matsuo Bashō. Por isso, sempre achei uma grande injustiça com o mundo que Drummond não estivesse nas estantes de todas as livrarias desse mundo, mundo, vasto mundo.

* * *
Por muito tempo achei que a ausência é falta

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

* * *

Os meus pingüins...
 
Há várias editoras nesse mundo pelas quais eu tenho uma enorme simpatia. A primeira delas era a Record, porque eram delas os primeiros livros que eu comprei nessa vida: uma coleção da Agatha Christie. Outras me agradam muito, como a Cia das Letras e suas capas lindas ou a Objetiva e os livros do Veríssimo ou a Edicions 62 e seus livros em catalão ou o sonho de ser publicado pela Elsevier ou Routledge ou Taylor & Francis (em breve, capítulo 10)... Mas a editora que mais lucrou comigo nesse tempo foi mesmo a Penguin, aquela que popularizou os livros de bolso - ou, como diriam os Beatles, paperback books. Totalmente excelente, com belíssimas obras no catalágo a um preço muito, muito acessível. Certa feita, quando ainda morava em Leeds, vi um documentário da BBC sobre a beleza dos livros e a Penguin tinha um papel protagonista no último capítulo. Eles revolucionaram o mundo editorial levando os livros ao povo, àqueles que não tinham dinheiro para as capas duras e se conformavam em tê-lo em capa mole. Uma idéia tão formidável, tão maravilhosa, tão espetacular que tinha que chegar a todos os lugares, a todos os cantos, a todos os autores.
E aquela felicidade de saber que o Drummond ia ser homenageado na FLIP se repetiu hoje, quando eu li no blog do Luiz Schwarcz, que o Poeta Maior será traduzido e publicado pela Penguin!
Carlos Drummond de Andrade, a depender apenas de detalhes contratuais com a família, será o primeiro poeta brasileiro a ser publicado pela Penguin Classics na Inglaterra, juntamente com a edição americana na prestigiosa Farrar, Straus and Giroux. Novas traduções a cargo de Richard Zenith — o grande tradutor de Fernando Pessoa para o inglês — serão somadas às feitas por Elisabeth Bishop, já clássicas.

Deixo uma entrevista que a Lenda Nagle fez com ele. Direto do túnel do tempo...

Eu já postei esse vídeo num outro post, mas não dá pra deixar passar... E em Minas tem tanto doidinho, né?
Minas é terra de doido, mas é doido que convive muito bem com o juízo. Eu acho que Minas Gerais é o paraíso ideal dos loucos, porque eles são bem tratados lá. O louco do interior de Minas é um louco tratado bem; ele faz parte da sociedade.

madri.já-quase-meia-noite.parece-que-o-inverno-começa-a-querer-acabar.sonhando-com-paraty-em-julho

Toda saudade é uma espécie de velhice

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O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto, "Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d'angola, como todo o mundo faz?" "Quero criar nada não..." me deu resposta: "Eu gosto muito de mudar..."

João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, 1956

* * *

Outro dia estava convesando com a Isa sobre as nossas infâncias e adolescências. Nós somos uma ilha disso que se costuma chamar genericamente de Brasil lá no trabalho. Já tomáramos muitas Guinness e Paulaners quando vi que há exceções mesmo para regras tão básicas como aquela que diz que todo mundo já se apaixonou por um professor. Ela disse que com ela nunca tinha passado. Bom, comigo sim. Tanto é que eu acreditava na universalidade da regra.

* * *
Ouço dizer dos que non han amor
que tan ben poden jurar que o han,
ant'as donas, come min ou melhor;
mais pero o juren non lho creerán,
     ca nunca pod'o mentiral tan ben
     jurar come o que verdade ten.

Ben juran eles que as saben amar,
senón que non hajan delas prazer;
mais, que lhis val de assí jurar?;
pero o juren non lho querrán creer,
     ca nunca pod'o mentiral tan ben
     jurar come o que verdade ten.

Joán Airas (fim do século XII - circa 1275)

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Pois é... Eu já estava no segundo grau quando eu me apaixonei por uma professora. Tudo nessa minha vida é mais tarde, né? Ela dava aula de Literatura. Não era a mesma professora de Português. Não, não, não. A de Português foi a primeira professora que se decepcionou comigo depois que eu não li Boca do Inferno. À época, eu achei uma bosta. Vai ver que hoje eu até goste. Anos mais tarde ela ficou muito feliz quando nos encontramos numa feira de livros e eu acabara de ler O Primo Basílio.
Mas não é dela que eu queria falar. É da professora de Literatura. Eu acho que ela chegou à escola como uma substituta que acabou ficando. Ela não era gostosa nem nada. Não, não. Gostosa não. Mas era bonitinha, bem bonitinha, mas nada espetacular. Foi, contudo, quando ela começou a explicar os trovadores galego-portugueses, que eu não me contive. Apaixonei-me. Não há como não gostar de alguém que fala de uns caras lááá no comecinho da Idade Média cantando os sofrimentos por mocinhas que não queriam nada com eles. Algo como a música pop, mas bem das antigas. Eu, na verdade, não lembro muito das aulas dela. A imagem que eu tenho era mesmo d'ela lá na frente e eu assistindo a aula. Da aula em si, nada. Só d'ela lá na frente. Era na sala do banheirinho, o quê quer dizer que era o segundo ano, eu acho. Lembro que ela tinha um Palio vermelho e uma vez deu carona para meus amigos que estavam no shopping enquanto eu tinha ficado na escola estudando... Ser CDF quase nunca vale a pena. O negócio é que quando vale a pena, vale muito: como naquele dia que ela me chamou para dar uma das aulas dela para uns outros alunos da escola, de outro ano. Eu, lá na frente, falando para uns meninos sobre o Esperanto -que eu estudava naqueles idos de pouco trabalho- e ela me dando os parabéns e falando bem de mim aos quatro ventos.

* * *
Confesso. Eu cá não madruguei em ser corajoso; isto é: coragem em mim era variável.

João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, 1956

* * *

Anos mais tarde, eu já na universidade, estava participando da Gincana de Contagem e havia uma prova que era levar o maior número de versões do Grande Sertão: Veredas possível. Nós tínhamos vários - eu mesmo já tinha deixado a 14ª reimpressão da 19ª edição. Estávamos todos ligando para nossos ex-professores de Literatura e eu não poderia perder essa excelente desculpa para falar com a minha professora de Literatura. Consultei meus contatos e consegui o telefone dela. Liguei, conversei, expliquei a situação, ela disse as edições que tinha mas aquelas nós já tínhamos... E foi então, já pronto para me despedir, é que eu disse que talvez poderíamos sair um dia, ir ao cinema, tomar um café, sei lá. Ela disse que sim, quem sabe, que já marcaríamos alguma coisa. Se me lembro bem, alguém me disse depois que ela tinha um namorado. Prefiro pensar que foi esse o motivo de nunca termos ido ao cinema ou ter ido tomar um café.

* * *
Ũa donzela quig'eu mui gran ben,
meus amigos, assí Deus me perdón.
E ora ja este meu coraçón
anda perdudo e fora de sén
por ũa dona, se me valha Deus,
que depois viron estes olhos meus,
que mi a semelha mui máis doutra ren.

Porque a donzela nunca verei,
meus amigos, enquanto eu ja viver,
por esso quer'eu mui gran ben querer
a esta dona, en que vos falei,
que me semelha a donzela que vi.
E a dona servirei des aquí,
pola donzela que eu muito amei.

Porque da dona son eu sabedor,
meus amigos, assí veja prazer,
que a donzela en seu parecer
semelha muit', e por end'hei sabor
de a servir, pero que é meu mal.
Serví-la-ei, e non servirei al,
por a donzela, que foi mia senhor.

Joan Soairez Somesso, 1223-1230

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Mais muitos anos se passaram e eis que ela aparece de novo. A Vivi (que me deu O Primo Basílio e estava comigo quando encontrei a professora de Português) encontrou a professora de Literatura num evento em que ela também estava. A Vivi foi aluna dela o mesmo tanto que eu, sentava a meio metro meu. Mas a professora não se lembrou muito bem. Mas ela falou de mim e a professora de Literatura se lembrou de mim! E perguntou como eu estava e que tinha saudade e que até arrepiara em lembrar de mim! :)

madri.já-de-madrugada.meião-do-inverno.com-vontade-de-ser-um-trovador...-ou-de-reler-o-grande-sertão

P.S.: O título deste post também é do Grande Sertão: Veredas.


Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.

He wants to be a Paperback writer (Resoluções 2012, 2)

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Há coisas que você quer mesmo acabar, que você sabe que precisa acabar, mas faltam forças. Quando as pessoas me dizem para que eu termine logo a minha tese, para que eu acabe de uma vez por todas de escrevê-la, eu sei que o fazem por bem. Mas não é simples. Se fosse simples, todo mundo seria doutor. Mas eu conheço bem poucos. Leva tempo - muito tempo. Dá trabalho - muito, muito trabalho.
Dear Sir or Madam will you read my book?
It took me years to write will you take a look?

Based on a novel by a man named Lear
And I need a job so I want to be a
Paperback writer
Paperback writer
* * *

Há momentos que as coisas não funcionam de jeito nenhum, daí você parte para o plano B... Porque, ainda que não queramos só comida, temos que comer e pagar o aluguel e pular a catraca não é comigo. Assim que ter um emprego estável (e divertido) nesse mar revolto que é a economia européia é todo um milagre e, como diria minha vó, uma bênça.
It’s a dirty story of a dirty man
And his clinging wife doesn’t understand
His son is working for the Daily Mail
It’s a steady job, but he wants to be a
Paperback writer

Paperback writer
* * *

Durante os agora mais de 3 anos do meu doutorado eu pedi mais de 20 bolsas, financiamentos, ajudas e o escambau a quatro. Nenhum deu certo... Ora era porque o assunto não era prioritário, ora era porque o grupo de pesquisa não se encaixava, ora era porque a minha nota na graduação não era suficientemente alta... Mas a maioria dos casos não me disseram o porquê. É quase sempre atirar às cegas.
It’s a thousand pages give or take a few
I’ll be writing more in a week or two
I can make it longer if you like the style
I can change it round
and I want to be a
Paperback writer
Paperback writer
* * *

Nos últimos anos eu tenho tentado muitas bolsas, muitas ajudas, muitos financiamentos para seguir com a minha pesquisa. Mas se já ninguém se interessava pelo meu assunto quando havia dinheiro, agora que a "Crise" se estabeleceu no Velho Mundo para nunca mais ir embora é que a coisa fudeu mesmo.
If you really like it you can have the rights
It could make a million for you overnight

If you must return it you can send it here
But I need a break and I want to be a
Paperback writer
Paperback writer
* * *

Mas há que tentar outra vez, né? Talvez eu seja mesmo capaz de sacudir o mundo. Assim que a segunda resolução de Ano Novo é acabar a tese e o doutorado. Quem sabe eu não consigo mesmo ser um paperback writer o quê eu realmente quero?

... but he wants to be a paperback writer.

madri.tarde-da-noite-já.frio-invernal-que-não-acaba-nunca.tentando-outra-vez-ser-um-escritor-de-livro-de-bolso

Docinha, docinha, docinha...

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Hoje estou numa saudade danada de casa. Bom, da casa onde eu nasci. Bom, do apartamento onde eu fui criado. Isso porque acabei de cortar o cabelo. Sei que há algum tempo eu tinha tomado a decisão de cortar eu mesmo o meu cabelo, mas a máquina estragou. Fui adiando, fui adiando e o cabelo foi crescendo, foi crescendo. Eu já não agüentava mais, porque tinha que pentear o cabelo sim-ou-sim. Se não o fizesse, saía de casa como o Eduard Punset. Pois é.
Naqueles idos na rua Ipuera, minha mãe não permitia que o meu cabelo chegasse a tal ponto de cachos e sempre nos mandava -ao meu irmão e a mim- ao barbeiro mais próximo. O barbeiro mais próximo era o Seu ...

... pausa para ligar para a minha mãe porque eu esqueci o nome do barbeiro...

... era o Seu Ari. Ele tem uma barbearia quase em frente à minha casa e meu irmão e eu sempre cortávamos o cabelo lá, desde que eu me entendo por gente. Ele é da mesma região onde o meu pai nasceu e esse era o único assunto da meia hora que ele levava para cortar o nosso cabelo. Meu pai nasceu em Rio Manso, mas saiu de lá ainda adolescente e voltou muito poucas vezes. O Seu Ari é de alguma cidade alí por perto -Piedade dos Gerais, se não me engano- e ele sempre perguntava se nós havíamos ido a Rio Manso ultimamente. Eu nunca -nunca!- fui a Rio Manso e meu pai deixou isso bem claro na nossa primeira visita. E lembro d'ele ter repetido diversas vezes "Não, Ari. Os meninos nunca foram a Rio Manso". Contudo, cada vez que o nosso cabelo começava a encaracolar, meu irmão e eu já sabíamos que era hora de escutar o Seu Ari perguntar se havíamos ido a Rio Manso ultimamente. E meu irmão e eu entoávamos o mesmo discurso de que não, nunca havíamos ido a Rio Manso. Então ele falava que tínhamos que ir, que era uma cidade linda e que Piedade dos Gerais era ainda mais linda e que as pessoas eram muito simpáticas e que todo mundo ajudava todo mundo e que não era essa coisa selvagem de Contagem e que é lá no interior é que se vivia bem e patati-patatá.
Nunca entendi porquê demoramos tanto tempo em mudar de barbeiro. Era engraçado... "Vocês têm ido muito a Rio Manso?", perguntava ele. "Não, Ari. Nunca fomos a Rio Manso, acho que já te dissemos isso." respondíamos nós. E ele dizia "Ah, mas vocês têm que ir. Lá é muito bonito, sô. Lá na casa de não-sei-quem" continuava o Ari como se nós conhecêssemos todo mundo em Rio Manso ou Piedade dos Gerais "... lá na casa de não-sei-quem tem um pé de manga, rapaz... Precisa ver! As mangas são desse tamanho e docinha-docinha-docinha." Dava até água na boca. Vai ver que era por essas mangas que eu nunca vi que eu nunca deixei de cortar o cabelo no Ari...

madri.já-tarde-da-noite.frio,-muito-frio,-frio-demais-da-conta,-sô.de-cabelo-cortado-numa-barbearia-madrilenha

Quase igual ao da mamãe / T'ha quedat exactament igual

8 comentários
Disclaimer: Aquest post hauria de tenir una versió en català, però ja és massa tard i em fa molta mandra traduïr-lo ara. Espero fer-ho demà. Teniu tres opcions: 1. Podeu esperar una mica fins a que surti la versió catalana; 2. Intentar llegir el post el portuguès maitex; o 3. Si teniu encara més pressa, aneu al GoogleTranslator i podreu tenir una idea prou aproximada del que vull dir. :)

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Versão em Português

... e então eu sai da sala e esperei que se decidissem. Os três professores levaram muito tempo para decidir que me dariam a nota mínima para que eu aprovasse. Quando voltei à sala, comunicaram-mo e eu senti uma mistura de alívio e decepção. Hoje, de longe, vejo que não era para tanto. Mas naquele dia eu estava mesmo devastado... Estava eu lá na cantina olhando para o nada, numa mesa com alguns amigos que tentavam me animar. Uma das professoras da banca passou por alí e disse estava indo para o Centro e perguntou se alguém queria uma carona. Ela estava indo à Bienal do Livro de Minas (que à época eu acho que era só de Belo Horizonte...) e eu, como já era oficialmente graduado e não tinha mais trabalhos para entregar, resolvi perder um tempo no meio de livros. Na porta nos despedimos e eu comecei a errar pelas estantes e pelos estandes. Havia uma tenda do lado de fora e eu fui lá ver o quê era. Quase não acreditei quando vi que o Luis Fernando Veríssimo, o melhor escritor de todos os tempos, estaria alí respondendo a perguntas e dando autógrafos. E por uma dessas coisas da vida, eu estava com o melhor livro dele na mochila. Não sei porquê, mas lá estava o "Mentiras Que Os Homens Contam". Era o pior dia do mundo, mas também o dia que eu recebi uma dedicatória do meu escritor preferido, do cara que escreve os textos que eu gostaria de ter escrito.

Luis Fernando Veríssimo e eu; a dedicatória dele no meu livro

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"Está quase igual ao da mamãe" significa que não chega aos pés do que a mamãe fazia, ou então que está muito melhor, mas que o importante é vocês não se sentirem nem tão ressentidas que decidam atirar o doce na nossa cabeça e depois se arrependam, nem tão confiantes que parem de tentar ser iguais à mamãe, e no dia que a gente disser que está sentindo uma coisa estranha bem aqui, só para não ir trabalhar e ficar vendo o programa da Xuxa, vocês não digam "Comigo essa não pega" e nos botem para a rua.

Trecho do livro...

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Já falei muitas vezes aqui dos comerciais da Estrella Damm, a cerveja catalã que eu gosto. Já escrevi 1, 2, 3, 4, 5, 6 posts sobre ou com comerciais da Estrella. Lá na Catalunha, os comerciais dela são muito influentes e sempre são muito vistos e comentados. E o último deles não é diferente. Muita gente estava comentando no Twitter e no Facebook e quando eu vi, não pude deixar de pensar no livro do Veríssimo. O argumento é uma moça francesa ensinando a fazer uma escudella, um prato tipicamente catalão, para o seu namorado catalão. Ele prova e disse que está bom, mas que não está como o da mãe dele... Talvez porque os legumes não são do Mercat de la Boqueria, ou que a carne não é de Can Rovira etc. e tal... E depois diz que todos os times hoje em dia querem copiar o Barça, mas que não dá para fazê-lo realmente porque os outros times não têm Messi, Xavi ou Iniesta, não têm a torcida que mais que ganhar quer diversão etc. e tal... No finzinho do comercial, porém, a moça francesa diz "Daniel, Daniel" e ele se desperta e diz "Mon amour, t'ha quedat exactament igual" (Meu amor, ficou exatamente igual).

O comercial da Estrella Damm...

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Não consigo deixar de dar razão ao Veríssimo quando ele diz, nos primeiros parágrafos do livro
Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade.

madri.tarde-da-noite.frio.esperando-a-minha-nova-companheira-de-apartamento-terminar-as-beringelas-rechedas-com-carne-moída

P.S.: Mais tarde a Yan me trouxe um prato com um pedacinho da janta dela. Uma maravilha. E também teve banana caramelizada de sobremesa, mas estava tão bom que nem deu tempo de tirar foto.

 A beringela com carne moída da Yan